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TOP 100
Livro, que será lançado no Reino Unido, inclui Superman e Freud
Lista reúne biografia dos judeus mais importantes
CATHERINE PEPINSTER
do ``The Independent on Sunday''
O que Moisés, Mahler, Benny Goodman, Sigmund Freud e Superman têm em comum?
Resposta: todos são judeus e figuram numa lista dos cem judeus mais importantes de
todos os tempos.
A lista, conhecida como ``The Jewish 100'' (The Jewish 100 : A Ranking of the Most Influential Jews of All Time, ISBN 0806518146), será publicada no Reino Unido este ano e inclui nomes
dos campos da filosofia, ciências, artes, negócios e cinema.
O advogado e compositor norte-americano Michael Shapiro decidiu compilar a lista e os ensaios
biográficos que a acompanham para celebrar as realizações do povo judeu.
``Realmente é verdade que Superman é judeu. Originalmente ele se chamava Kal-El, o nome de
Deus em hebraico, e foi inventado para se contrapor ao crescente pensamento anti-semítico vigente
na década de 30'', diz Shapiro.
Os criadores de Superman, Jerry Siegel e Joe Shuster, figuram no final da lista -o número cem-, e,
entre outros judeus ligados à cultura popular, constam da lista nomes como os do criador do jeans,
Lévi-Strauss, de Bob Dylan, do cineasta Steven Spielberg, do dramaturgo Arthur Miller e da escritora Betty Friedan.
A lista é dominada por líderes religiosos, pensadores e filósofos.
Três homens que transformaram o mundo moderno -Albert Einstein, Sigmund Freud e Karl
Marx- figuram entre os dez primeiros da lista, ao lado de figuras
bíblicas: Moisés, Jesus, Abraão, São Paulo e a Virgem Maria.
Outros nomes que estão entre os
primeiros da lista são o de Theodor Herzl, que inspirou a fundação
do moderno Estado de Israel, e o
do filósofo holandês Spinoza.
Enquanto algumas das pessoas citadas são conhecidas por suas qualidades judaicas, outras, como
Spinoza, renunciaram ao judaísmo. Sua inclusão na lista corre o
risco de causar ofensa a alguns judeus.
O fato de Shapiro ter optado por colocar Jesus em segundo lugar,
atrás de Moisés, provavelmente
vai suscitar controvérsias, mas ele
diz que optou pelo receptor dos Dez Mandamentos porque sua
história domina a Bíblia e porque
Moisés é reconhecido pelo judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
``Moisés liderou uma grande rebelião de um povo escravizado'',
explica, ``desenvolvendo o primeiro sistema de crenças que respeitava a vida humana. É ele a figura fundamental''.
``Jesus teria liderado a lista, não
fosse pelo fato de que tantas guerras já foram provocadas pelo abuso de sua mensagem. Por isso eu
não pude colocá-lo em primeiro
lugar.''
Para compilar sua lista, Shapiro
consultou rabinos, filósofos, escritores e outros judeus notáveis.
``Tive de perguntar a eles se era
possível comparar uma figura política a um músico, ou alguém que
viveu mil anos atrás a uma pessoa
que vive hoje'', afirma.
``Procurei avaliar não tanto a
grandeza de cada figura, mas a influência que exerceu. Quer as pessoas concordem ou não com ele,
Marx, por exemplo, criou uma
ideologia que afetou a vida de milhões de pessoas.''
A lista começou a ser discutida
pelos judeus britânicos em dezembro do ano passado.
Nick de Rothschild, cujo ancestral Mayer, fundador da atividade
dos bancos mercantis, número 28
da lista, achou ``inteiramente correto'' que Einstein figurasse entre
os dez primeiros, mas desejou que
a lista não fosse tão histórica.
``Eu gostaria de ver incluídos mais pensadores modernos'', disse Shapiro.
Harry Levy, o capelão mor junto às forças britânicas que libertaram
o campo de concentração de Belsen, teria incluído na lista o escritor judeu italiano Primo Levi, que
fez a crônica das atrocidades nazistas. ``Seus escritos são profundamente comoventes. Na minha opinião, sua influência foi muito
grande.''
O deputado trabalhista britânico Gerald Kaufman achou a lista
``maluca''. ``Como traçar uma distinção entre Moisés e Jesus?''
O que emerge de uma leitura da lista é a influência exercida pelos
judeus sobre todas as formas da palavra escrita - algo que, na opinião de Shapiro,
se deve à precoce difusão da alfabetização entre os judeus.
``Esta lista não diz respeito à genética, mas ao uso da palavra escrita'', diz.
O Reino Unido não se sai bem na lista, sendo representado apenas
por Benjamin Disraeli, Daniel Mendoza (um pugilista do século
19) e por Sir Moses Montefiore, assessor da rainha Vitória.
Michael Shapiro, que vive em Manhattan (Nova York), nos Estados Unidos, pensou em incluir na
lista o nome da família Sieff, fundadora da rede de lojas de departamentos
Marks & Spencer, mas achou que seus feitos tiveram influência demasiado regional.
O fato de um advogado nova-iorquino criado no bairro do Brooklyn haver excluído
celebridades da cidade como Woody Allen e Lenny Bruce certamente vai causar surpresa.
Os amantes da cultura e da comédia judaica nova-iorquina serão consolados pela
inclusão de Groucho Marx e de Sandy Koufax, o jogador de beisebol que ajudou
seu time do Brooklyn a ganhar um campeonato - mas apenas depois de se recusar a jogar no
feriado de Yom Kippur.
Tradução de Clara Allain
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